
A testosterona é o principal hormônio masculino. Ela participa da libido, da função sexual, da produção de espermatozoides, da massa muscular, da saúde dos ossos, da disposição e do humor. Quando o organismo produz menos testosterona do que precisa e isso causa sintomas, fala-se em hipogonadismo masculino.
O tema ganhou espaço nas redes sociais, muitas vezes com promessas de energia e desempenho. Por isso vale separar o que é diagnóstico médico do que é marketing.
Sinais que podem indicar testosterona baixa
- redução do desejo sexual e da frequência de ereções espontâneas;
- dificuldade de ereção;
- cansaço, desânimo e menor disposição;
- perda de massa muscular e aumento da gordura abdominal;
- redução de pelos e, em casos de longa duração, perda de massa óssea;
- infertilidade.
Nenhum desses sinais é exclusivo do hipogonadismo. Sono ruim, estresse, depressão, obesidade, diabetes e alguns medicamentos causam sintomas parecidos.
Como o diagnóstico é confirmado
O diagnóstico exige sintomas compatíveis e testosterona total baixa em pelo menos duas dosagens, colhidas pela manhã, preferencialmente em jejum, quando o hormônio está no nível mais alto do dia. Um resultado isolado não basta.
Confirmada a deficiência, a investigação busca a causa, com dosagens de LH, FSH e prolactina, entre outras. Obesidade, diabetes descontrolado, uso de opioides ou corticoides, uso prévio de anabolizantes e alterações da hipófise estão entre as causas possíveis, e algumas delas podem ser corrigidas sem reposição.
Quando a reposição é indicada
A reposição de testosterona é indicada para homens com deficiência confirmada e sintomas, após a avaliação de contraindicações. Ela não é recomendada, por exemplo, para quem deseja ter filhos em breve (a reposição reduz a produção de espermatozoides), para quem tem câncer de próstata ou de mama, ou hematócrito elevado.
Durante o tratamento, o acompanhamento inclui dosagem de testosterona, hemograma (a testosterona pode aumentar demais os glóbulos vermelhos) e avaliação da próstata conforme a idade.
No Brasil, o Conselho Federal de Medicina veda a prescrição de testosterona e anabolizantes com finalidade estética, de ganho muscular ou de desempenho esportivo.
Os riscos do uso sem indicação
O uso de testosterona e outros esteroides anabolizantes sem indicação médica pode levar a infertilidade, atrofia testicular, aumento do risco cardiovascular, alterações do fígado e do humor, além de suprimir a produção natural do hormônio, às vezes por muito tempo depois da suspensão.
Quando procurar a endocrinologista
Procure avaliação se tem sintomas como queda da libido e cansaço persistente, se um exame mostrou testosterona baixa, se usou anabolizantes no passado, ou se está em reposição sem acompanhamento. O objetivo é chegar à causa e tratar com segurança.
Referências
- Bhasin S, et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715-1744. https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/testosterone-therapy
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023. https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2023/2333
Dra. Larissa Basmage
Endocrinologista · CRM-MS 11417 · RQE 9770 (Endocrinologia e Metabologia) · RQE 9771 (Clínica Médica)
Conheça a Dra. LarissaConteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.
