
Durante a gravidez, a placenta produz hormônios que tornam o corpo da mãe mais resistente à ação da insulina. Na maioria das gestantes, o pâncreas compensa produzindo mais insulina. Quando essa compensação não é suficiente, a glicose sobe e surge o diabetes gestacional.
É uma condição frequente, que não causa sintomas na maior parte dos casos. Por isso o rastreamento faz parte do pré-natal de todas as gestantes.
Como é feito o diagnóstico
No Brasil, o consenso entre Ministério da Saúde, OPAS, FEBRASGO e Sociedade Brasileira de Diabetes orienta duas etapas:
- Na primeira consulta do pré-natal: glicemia de jejum. Valores entre 92 e 125 mg/dL indicam diabetes gestacional. Valores a partir de 126 mg/dL sugerem diabetes que já existia antes da gravidez;
- Entre 24 e 28 semanas: curva glicêmica (TOTG) com 75 g de glicose para quem ainda não teve diagnóstico. O diabetes gestacional é confirmado se qualquer valor estiver alterado: jejum a partir de 92 mg/dL, 1 hora a partir de 180 mg/dL ou 2 horas a partir de 153 mg/dL.
Por que o controle é importante
A glicose alta na gestação pode fazer o bebê crescer além do esperado, aumentar o risco de complicações no parto, de hipoglicemia no recém-nascido e de pressão alta na mãe. Com o controle adequado, esses riscos diminuem de forma importante.
Como é o tratamento
- Alimentação: é o primeiro passo, de preferência com acompanhamento nutricional, distribuindo os carboidratos ao longo do dia;
- Atividade física: quando liberada pelo obstetra, caminhadas e exercícios leves ajudam a controlar a glicose;
- Monitoramento: medidas de glicemia capilar em casa, em horários combinados, mostram se as metas estão sendo atingidas;
- Medicação: quando as metas não são alcançadas, a insulina é o tratamento mais usado e é segura para o bebê. Em situações específicas, outros medicamentos podem ser considerados.
O acompanhamento endocrinológico é feito em conjunto com o obstetra, que continua responsável pelo pré-natal.
Diabetes gestacional bem acompanhado não impede uma gestação tranquila.
E depois do parto?
Na maioria das mulheres, a glicose volta ao normal após o nascimento. Ainda assim, quem teve diabetes gestacional tem risco maior de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida. Por isso, recomenda-se repetir a curva glicêmica algumas semanas após o parto e manter o acompanhamento periódico. A amamentação e um estilo de vida saudável também ajudam a reduzir esse risco.
Quando procurar a endocrinologista
Procure avaliação se teve glicemia alterada no pré-natal, se já tinha diabetes antes de engravidar, se teve diabetes gestacional em uma gravidez anterior, ou se está planejando engravidar e tem fatores de risco. O planejamento antes da gestação faz diferença.
Referências
- Organização Pan-Americana da Saúde, Ministério da Saúde, FEBRASGO e Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília: OPAS, 2016.
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes. https://diretriz.diabetes.org.br/
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). https://www.febrasgo.org.br/
Dra. Larissa Basmage
Endocrinologista · CRM-MS 11417 · RQE 9770 (Endocrinologia e Metabologia) · RQE 9771 (Clínica Médica)
Conheça a Dra. LarissaConteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.